A Procissão dos Mortos, um Filme de Raimundo Barbosa

por Raimundo Barbosa·
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A procissão dos Mortos, destaca-se como uma das mais conhecidas lendas da cidade de Valença do Piauí, pelo contexto e antiguidade que se insere, cujo enredo remota ao início do século XX. Sobe-se, portanto, que seu auge foi no período que a igreja tinha como Vigário o Cônego Acylino. E se o Cônego chegou em Valença em 1879 o episódio mais marcante ocorreu neste período.
Segundo Dona Maria Juvina, matriarca da família e Juvina, numa certa noite de quarta-feira da Semana Santa, conhecida popularmente como “Quarta-feira de Trevas”, uma moradora de rua do Maranhão, por nome Prisilina, estava com insônia mexeu-se, remexeu-se na velha cama coberta de couro de boi e não conseguia dormir. Debulhou o rosário Santo de Maria e o sono não chegava.…

Assim Prisilina fez, conseguiu uma criança por nome Maria e recolheu-se em casa, aguardando o dia passar o que provocou curiosidade aos demais moradores da Rua do Maranhão e adjacências, nem mesmo Elentéria, amiga e confidente de Prisilina ficou sabendo do acontecido.
Naquele dia a rua do Maranhão viveu um silêncio intenso, alguns moradores perceberam por ser um período de Semana Santa, outros nem tanto, se Prisilina não apareceu, algo de inusitado deveria ter acontecido para deixar a vizinha fofoqueira reclusa em casa, não sabendo eles que Prisilina, estava era em apuros com coisas do outro mundo.
O dia era como se os ponteiros do relógio em vez de marcar os minutos, indicava era os segundo, mas o tempo passava. O entardecer foi inevitável, na hora do crepúsculo, Prisilina preferia a Aurora, mas num passe de mágica, ouviu o canto rouco da coruja anunciando a noite.
A menina Maria, já estava sob os cuidados da moradora da Rua do Maranhão, aguardando o momento certo de entregar o “osso vela”, ao penitente da procissão.
Na hora certa, lá para as tantas da madrugada, Prisilina e a criança Maria, se prostram sob a janela do frontal da casa, quando tudo ficou como dia anterior, barulho, nem dos grilos das margens do rio Catinguinha. O som da banda de música já penetravam seus ouvidos, a fumaça do incenso já subia ao céu e cheio atingia o olfato. Era a procissão que se aproximava, Pálio, Padre conduzindo o ostensório e os penitentes vestidos de túnicas brancas e com velas acesas rumavam em direção da Igreja de N.S. do Ó, quando o último se desprende e se dirige para a casa de Prisilina, esta já pronta para entregar o osso vela, como havia sido combinado.
O penitente chegou, ouviu a saudação de Prisilina:
─ Quem pode mais do que Deus (3 vezes)
O penitente responde:
─ Ninguém
E a menina Maria, efetua a entrega o osso vela. O penitente recebe e resmunga, situando os olhos, com aquele olhar de assombração.
─Foi o que te salvou! Estas são as horas mortas, onde os vivos devem estar dormindo e os mortos em penitentes. Dizendo isso, se retira da mesma forma que a anterior, de costa, porque a alma não mostra as costas para nenhum ser vivo, acompanhou o cortejo, que entregou na igreja só Deus sabe para fazer o que. Prisilina, pós este momento, recolheu aos aposentos para tentar dormir, mas para sua surpresa, no outro dia encontrou uma mensagem escrita num pedaço do osso vela que havia se desprendido, com o seguinte texto: a história não acabava aqui, este pedaço de osso, ficará com você para entregar as pessoas, em forma de vela, sempre nas quartas-feiras da Semana Santa não só neste espaço da rua do Maranhão, mas em qualquer parte desta cidade, tanto, que uma pessoa que mora na Rua São João, numa certa quarta-feira de Procissão, viu a procissão passar, vinda das bandas do Valentim. Por isso em noite de quarta-feira da Semana Santa, a conhecida quarta-feira de Trevas, em Valença do Piauí, não receba vela das mãos de pessoas estranhas, porque pode ser a Prisilina, metamorfoseada de pessoa comum querendo lhe entregar a vela osso e a maldição ficar com você. Cuidado! A Prisilina, não é raça de gente, não se deixe levar porque ela é bem comunicativa e o mais difícil na atualidade é uma criança com o nome Maria.

Com informações de: Prof: Antônio José Mambenga

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