Coleta de DNA de familiares de desaparecidos tem 10 pontos no Piauí; veja onde

por Raimundo Barbosa·
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Famílias de pessoas desaparecidas no Piauí terão dez pontos de coleta de DNA à disposição entre os dias 24 e 28 de agosto, durante a Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. No estado, o atendimento será feito em nove cidades. Em todo o país, serão 334 pontos.

Esta é a quarta edição da mobilização, promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ação marca o início da Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas de 2026.

A coleta não é exclusiva dessa semana. Ela acontece de forma contínua nas instituições de perícia oficial durante todo o ano. A mobilização funciona como uma força-tarefa, com estrutura montada para atender um número maior de famílias em poucos dias.

Duas pessoas desaparecem por dia no Piauí

A mobilização chega a um estado que vem registrando aumento nos desaparecimentos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o Piauí passou de 616 pessoas desaparecidas em 2024 para 744 em 2025,  uma média de duas por dia.

O crescimento de 20,5% foi o terceiro maior do país, atrás apenas de Minas Gerais (30,5%) e do Maranhão (29,8%). O número de pessoas localizadas também subiu no período: de 264 para 346.

No Brasil, foram 84.269 registros em 2025, o maior número dos últimos nove anos.

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Para que serve a doação

O material genético doado pelos familiares é comparado com os perfis de pessoas não identificadas, vivas ou mortas, cadastradas nos bancos estaduais, distrital e nacional de perfis genéticos.

Essas comparações são feitas de forma contínua e automática. A cada nova atualização da base, o sistema volta a buscar coincidências. Ou seja, mesmo que não haja resultado imediato, o perfil segue sendo cruzado ao longo do tempo.

O material biológico da própria pessoa desaparecida também é útil. Objetos de uso pessoal, como escova de dente e aparelho de barbear, além de dente de leite e cordão umbilical guardados pela família, podem conter DNA e ser entregues no ponto de coleta.

Segundo o Ministério da Justiça, o DNA doado é usado somente para procurar e identificar pessoas desaparecidas, sem qualquer outra finalidade. Depois que a identificação é confirmada, o perfil genético é retirado do banco de dados.

Onde doar no Piauí

  • Teresina

Instituto de DNA Forense — Rua Governador Raimundo Artur de Vasconcelos, 995, bairro Porenquanto. E-mail: idna@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 99455-2115.

Instituto de Medicina Legal — Rua Francisca de Melo Lobo, s/n, bairro Saci. E-mail: direcao.imlteresina@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 99456-2503.

Nas demais cidades, a coleta será feita em salas do Núcleo Regional de Polícia Científica, dentro das delegacias da Polícia Civil.

  • Bom Jesus

Praça Gilson Coelho, s/n, bairro Penitenciária. E-mail: bomjesus.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 98115-5047.

  • Corrente

Avenida João Lemos Paraguassú, s/n, bairro Nova Corrente. E-mail: corrente.dptc@pc.pi.gov.br.

  • Floriano

Avenida João Luís Ferreira, bairro Centro. E-mail: floriano.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 99560-5574.

  • Parnaíba

Rua Dr. Manoel Lucas, 498, bairro Frei Higino, ao lado do Hospital Colônia do Carpina. E-mail: parnaiba.ic@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 3322-8238.

  • Picos

Avenida Senador Helvídio Nunes, s/n, bairro Junco. E-mail: picos.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (89) 99430-0551.

  • Piripiri

Rua João Damasceno, bairro Centro. E-mail: piripiri.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (86) 99560-0273.

  • São Raimundo Nonato

Praça Cel. João Antunes de Macêdo, s/n, bairro Gavião. E-mail: srn.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (89) 99429-6798.

  • Uruçuí

Rua Pista Pouso, s/n, bairro Aeroporto. E-mail: urucui.dptc@pc.pi.gov.br. Telefone: (89) 99444-7504.

Quem pode doar

Foto: Arquivo/Cidadeverde.com

Inauguração do laboratório de DNA Forense em Teresina

A doação é indicada para familiares de pessoas desaparecidas que ainda não fizeram a coleta. Quem já doou em algum momento para a perícia oficial não precisa repetir o procedimento.

A ordem de preferência é a seguinte:

  • pai e mãe biológicos;
  • filhos biológicos e o outro genitor;
  • irmãos biológicos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, quantos forem possíveis.

Quando não é possível seguir essa ordem, outros familiares também podem ser considerados. Em caso de dúvida, o Ministério da Justiça orienta procurar o ponto de coleta mais próximo.

Crianças podem doar, desde que acompanhadas do responsável legal.

O que levar

  • documento de identidade;
  • informações do boletim de ocorrência do desaparecimento: número, estado de registro e delegacia;
  • se possível, uma cópia do boletim;
  • se tiver, objetos pessoais da pessoa desaparecida que possam conter DNA.

No local, o familiar assina um termo de consentimento autorizando a doação.

Como é feita a coleta

O procedimento é rápido e pode ser feito de duas formas: com um cotonete passado por dentro da bochecha ou com uma gota de sangue retirada do dedo. Não é preciso estar em jejum.

O material é encaminhado a um laboratório oficial, que analisa a amostra e inclui o perfil genético nos bancos de DNA local e nacional.

Dúvidas frequentes

  • Não existe prazo para doar?

Não há prazo limite após o desaparecimento. O necessário é ter um boletim de ocorrência registrado. Quem ainda não fez o registro deve procurar a delegacia mais próxima.

  • E se a família mora em cidades ou estados diferentes?

Não há problema. Os familiares podem doar em locais diferentes, mas devem avisar no ponto de coleta para que a informação seja registrada corretamente.

  • E se quem quer doar não puder se deslocar?

O Ministério da Justiça orienta entrar em contato pelo telefone do ponto de coleta mais próximo. A equipe avalia a situação para tentar viabilizar a coleta onde a pessoa estiver.

  • E se a pessoa desapareceu em outro país?

É possível buscar em bancos de DNA de outros países. A suspeita deve ser informada no momento da coleta.

  • Como a família fica sabendo de um resultado?

O contato só é feito em caso de resultado positivo. Se a pessoa for identificada, é elaborado um laudo oficial, encaminhado à delegacia responsável pelo caso. A equipe policial então procura a família para informar e orientar sobre os próximos passos.

Se o resultado apontar que a pessoa está viva, a família é informada sobre a localização. Se apontar que a pessoa faleceu, a instituição responsável entra em contato com a família para os procedimentos legais. Não havendo coincidência, o perfil permanece no banco e segue sendo cruzado automaticamente a cada atualização da base.

A lista completa dos 334 pontos de coleta em todo o país está disponível no site do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Com informações de: CIDADE VERDE

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