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“Espero que não afete a relação”, diz governador sobre fala de Bolsonaro

O governador Wellington Dias (PT) afirmou nesta segunda-feira (22) que se sentiu ofendido com a fala do presidente da República, Jair Bolsonaro que se referiu aos governadores como “paraíba”. É a primeira vez que o governador comenta em público sobre a polêmica. Em entrevista ao Jornal do Piauí, Wellington disse esperar que a relação entre o governo e a presidência não seja prejudicada.

Na sexta-feira (19), durante café da manhã com correspondentes estrangeiros, o presidente fez críticas a governadores do Nordeste, em especial ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). “Daqueles governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada para esse cara”, disse, em conversa com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Depois disso, Bolsonaro garantiu não ter problemas com o Nordeste e que tudo não passou de uma distorção do que foi dito.

“Eu espero que isso não afete a relação. Quem é governador, presidente, prefeito, espera uma relação respeitosa”, ressaltou Wellington. Ele disse que, por um ponto, se sentiu atingido pelo que o presidente falou.

“Na região Sudeste, quando se quer dirigir ao Nordestino de forma pejorativa, é ‘os baianos’, ‘os paraíba’. Isso é uma triste realidade. A forma como ocorreu ela [a declaração], na verdade, foi muito mais que aos governadores, foi uma forma discriminatória com a própria região. Isso não é bom. Eu não faço esse tipo de coisas com os do Sul, do Sudeste, do Norte, nem Centro-Oeste. Nós temos que tratar todos com muito respeito. Quando eu falo, eu tenho consciência de que é o Piauí que fala, quando o presidente da República fala, é o Brasil que fala. E isso aconteceu num momento em que o presidente dava entrevista para jornalistas do mundo. Isso pesa muito mais”, argumentou.

O governador do Piauí criticou a postura do presidente em excluir o Estado do Maranhão e afirmou que os gestores precisam agir com maturidade, de forma independente das decisões políticas, já que oposição e governo vivem no mesmo país.

“Nós temos que agir com maturidade, para garantir uma relação respeitosa, lado a lado. Ali teve um outro ponto que também não é bom: ‘não vai liberar nada, nada para tal Estado. Primeiro que eu sou governador de 224 municípios, independente do que aconteceu nas eleições de 2014 e 2018, ou venha acontecer em 2020 e 2022. Sou governador de 3,2 milhões de pessoas, em 224 municípios. Eu espero que o presidente da República também [aja assim], porque nós aqui também trabalhamos, produzimos, geramos impostos e receitas”, frisou.

Foto: Analice Borges / Cidadeverde.com

Investimentos em segurança

Wellington classificou a atual relação do governo do Piauí com a presidência como uma “relação institucional”. Ele disse que os problemas existentes foram causados porque o governo federal ficou muito tempo preso à pauta da Previdência.

“Eu sempre chamei atenção para isso. Se a gente ficar preso a uma pauta só, como se fosse a bala de prata, esse é um problema. O Brasil tem pelo menos 20 coisas muito importantes para tratar. Vai terminar a reforma e a União, Estados e municípios continuarão com déficit”, enfatizou, citando entre os assuntos mais urgentes, a pauta da segurança pública. “A pauta da segurança não é só liberar armas. Você tem que investir mesmo em segurança, naquilo que traz a paz, a pacificação. Temos que investir na proteção das fronteiras e na integração das forças de segurança e inteligências”, completou.

Wellington defende a criação de um fundo nacional de segurança a partir da cobrança de impostos em apostas pela internet relacionada a jogos de futebol, por exemplo. “Todos os dias, brasileiros vão na internet apostar: quem vai fazer o primeiro gol, quem vai ganhar o jogo? Ali se aposta e esse dinheiro vai para outros países sem tributar. Eu defendo que seja tributado. São cerca de R$ 70 a 80 bilhões por ano que se a gente tributar em 20% são R$ 16 bilhões de receita para a segurança”, explicou.

Eleições 2020

Sobre as eleições municipais do próximo ano, o governador disse que só tratará do assunto no próximo ano. “Esse ano é ano de muito trabalho, bons resultados. Acho que vai ter uma discussão, inicialmente do partido. No início do ano que vem vamos começar a dialogar. Eleição é caçada de onça, quando você está longe, todo mundo é valente. Quando está longe da eleição todo mundo é candidato. Vai chegando perto e percebe que não é bem assim”, comparou.

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Jordana Cury
jordanacury@cidadeverde.com

 

*Com informações: cidade verde

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