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Caminhada da Fraternidade reúne quase 100 mil em ato de amor, fé e caridade

Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés.

Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.

Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’”.

Respondeu-lhe Jesus: “Simão, tenho algo a lhe dizer”.

“Dize, Mestre”, disse ele.

“Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?”.

Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”.

“Você julgou bem”, disse Jesus. Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: “Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés. Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés. Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama”

[Lucas 7:37-47]

No adro da Igreja São Benedito, numa manhã ensolarada de domingo, milhares de participantes da Caminhada da Fraternidade acompanharam com atenção a homília de Dom Jacinto de Brito, que citou Lucas para discorrer sobre uma importante lição deixada por Jesus Cristo – a necessidade de se perdoar o próximo.

Segundo Dom Jacinto, os cristãos devem exercitar constantemente a prática do perdão, na convivência com os familiares, com os amigos e até mesmo com os inimigos, pois a essência do perdão não está em dá-lo aos que agradam, mas, sobretudo, àqueles que magoam e que são apontados como os maiores pecadores.

Fazendo uma analogia com a “pecadora” mencionada no capítulo 7 do Evangelho de Lucas, o arcebispo ressaltou que é preciso enxergar Deus nos mais humildes e vulneráveis, praticando a caridade e deixando aflorar a compaixão.

“Todos nós somos atraídos pelo mesmo espírito, que é olhar o Cristo por quem passamos todos os dias e cruzamos nas ruas. Precisamos molhar os seus pés, talvez não com nossas lágrimas nos olhos, mas com nosso olhar misericordioso, que nos leva a uma atitude concreta, que nos leva a reverenciar a dignidade humana, fazendo o que está ao nosso alcance”, enfatizou Dom Jacinto.

Quase cem mil pessoas acordaram cedo neste domingo, 12 de junho, para participar da 21ª edição da Campanha da Fraternidade, cujo tema deste ano teve como foco a preservação do meio ambiente: “Mãe Terra: nossa casa, nossa causa”.

A festa católica, que também atrai pessoas de outras religiões, teve início com a Santa Missa, celebrada por Dom Jacinto de Brito Sobrinho, arcebispo de Teresina, com a presença de clérigos de várias paróquias da capital, além do arcebispo emérito da capital, Dom Miguel Fenelon Câmara Filho.

   

Ao final da missa, o padre Tony Batista, vigário geral de Teresina, deu a largada para que os milhares de caminheiro seguissem juntos o percurso de aproximadamente 5 km da Caminhada da Fraternidade, cujo dinheiro arrecadado com a venda dos kits é destinado para os projetos filantrópicos atendidos pela Ação Social Arquidiocesana (ASA) de Teresina, como o Lar da Fraternidade, que acolhe pessoas soropositivas, e o Lar de Misericórdia, voltado para dar assistência a pessoas humildes que estão com câncer ou com outras doenças graves.

      

De braços dados, idosos, jovens e crianças caminham pela solidariedade

Moradoras de bairros da zona norte da capital, as amigas Sofia do Nascimento, de 65 anos, e Maria da Conceição, de 81 anos, foram sozinhas para a caminhada, e percorreram o trajeto de braços dados. “A gente costuma ir para a igreja juntas e todos os anos também participamos da Caminhada, com ou sem nossos parentes. A gente faz companhia uma para outra”, afirmou Sofia.

Mas a presença da juventude também foi expressiva, e conferiu uma animação extra ao evento da ASA. Um grupo de jovens da Paróquia Santo Inácio de Loyola, da região do Pedra Mole, deu uma grande demonstração de fé. Eles percorreram as Avenidas Frei Serafim e Nossa Senhora de Fátima com muita euforia – cantando, pulando, dançando, tocando instrumentos de percussão e glorificando a Deus.

“Além de dar nosso apoio à Caminhada, nossa intenção também foi mostrar a força da juventude cristã. A cara dos jovens é essa. É alegria, é amor, é vida. Nosso grupo abrange mais de 100 jovens, e pelo menos uns 50 vieram participar da Caminhada este ano”, ressaltou Antônio Alailson.

A manicure Luciana da Silva participou da festa católica ao lado de mais de dez familiares, incluindo a filha Jamile Vitória, de apenas três anos, que, além de ir até o final da caminhada, ainda empurrou seu carrinho durante boa parte do trajeto.

O vendedor Maykon Brandão de Sousa levou a esposa, os dois filhos – de três meses e de cinco anos –, e ainda convidou cerca de 20 pessoas para participar do evento, entre familiares e amigos. “O meu primeiro filho vem desde os cinco meses de vida. Eu acho necessário ensinar logo cedo a importância de ajudar o próximo, porque plantando amor no coração dos nossos filhos a gente evita que eles se envolvam com o que é ruim. E a igreja é uma grande aliada nessa missão”, afirmou Maykon.

Luciana Liborio veio de João Pessoa para participar da caminhada, a convite da amiga Iolanda Sá, que é secretária executiva da Ação Social Arquidiocesana (ASA). “Eu ganhei o kit do ano passado, que ela mandou pra mim, mas infelizmente não pude vir. Este ano eu consegui”, comemorou Luciana, que aproveita a viagem para conhecer a capital piauiense.

O jovem Caio Henrique, de 21 anos, que tem paralisia cerebral, deu uma lição aos demais caminheiros, completando o trajeto sem reclamar, em sua cadeira de rodas. Acompanhado das duas avós, da mãe, da tia e de outros familiares, ele não tirava o sorriso do rosto por um minuto sequer. Segundo uma das avós de Caio, ele é quem mais motiva a família a participar da Caminhada da Fraternidade.

Onorina Crispim, de 79 anos, e Telma Maria, de 54 anos – mãe e filha – orgulham-se de ter participado de todas as edições, e dizem que vão continuar comparecendo ao evento da ASA até quando a saúde permitir. “Eu vou até o final todo ano, e se fosse pra voltar até a Igreja São Benedito eu voltava”, brincou Onorina, enquanto caminhava pelo passeio central da Avenida Frei Serafim.

Centenária agradece a Deus por ter saúde para participar

A idosa Maria das Graças Pereira Mota, de 100 anos, só faltou a apenas duas edições da Caminhada da Fraternidade, segundo revela a filha, Dara Pereira Mota.

Moradora do bairro Piçarra, na zona sul, a centenária afirma que é religiosa desde criança, e não abre mão de participar do evento. “Eu só agradeço a Deus por ainda ter saúde para participar”, comemora Maria das Graças.

  

Tony Batista e Dom Jacinto destacam que ser cristão é praticar a solidariedade

“Também quero chamar a atenção para os moradores de rua de Teresina. Nós temos uma cidade humana e solidária, mas estamos observando um aumento acelerado no número de moradores de rua. A Arquidiocese também tem um trabalho com este povo, que precisa do nosso apoio e da nossa solidariedade. Eu não posso ser feliz no meu apartamento, na minha casa, na minha cobertura, sabendo que há pessoas morando na rua, que não têm para onde ir […] No nosso julgamento, Deus não vai perguntar quantas vezes você beijou a mão do padre. Ele vai perguntar se quando Ele tinha fome você deu o que comer. Se quando Ele tinha sede você deu o que beber. Se quando Ele tinha câncer você o ajudou no Lar de Misericórdia. Se quando Ele tinha hanseníase você o ajudou no tratamento lá no Centro Maria Imaculada. Se quando Ele portava AIDS você o ajudou no Lar da Fraternidade. O nosso julgamento vai ser assim. Então, vamos seguir caminhando, porque ser cristão é ser solidário”, afirmou Tony Batista, do alto do trio elétrico, quando os caminheiros já percorriam a Avenida Nossa Senhora de Fátima.

A opinião do vigário geral foi reafirmada pelo arcebispo de Teresina. “A caminhada é um combustível para podermos ajudar aqueles e aquelas que estão caídos. A nossa Caminhada da Fraternidade é um testemunho público de que nós queremos – como Tiago nos diz na sua carta – mostrar com obras a nossa fé. Não queremos nos apresentar diante de Deus com uma fé sem obras, mas apresentá-la através das nossas obras […] Na nossa caminhada, a gente passa por cima do rio, e vê que a água corre. Pois assim como a água, corre também nossa fraternidade, para com todos aqueles por quem estamos caminhando. Os necessitados, os que estão esquecidos, deixados de lado, sem voz e sem vez”, afirmou Dom Jacinto.

O arcebispo ainda enalteceu a dedicação das centenas de pessoas de diversas paróquias que auxiliaram na divulgação da Caminhada, na venda dos kits e no apoio à logística do evento, tudo de forma voluntária. “Todos nós sabemos que já há 21 anos a Arquidiocese faz essa festa com uma empolgante equipe. Uma equipe que a cada ano renova o seu esforço, rejuvenesce as suas forças e clama, com um espírito cada vez mais altaneiro e decidido, pela participação da comunidade de Teresina e também dos arredores”, pontuou o arcebispo.

Firmino diz que evento reforça tradição de ajudar o próximo

O prefeito Firmino Filho (PSDB) e diversos vereadores de Teresina também marcaram presença no evento. Ao final da caminhada, o chefe do Executivo municipal opinou que o evento católico ajudar a fomentar um sentimento humanitário entre os teresinenses.

“Mantemos esta tradição desde sua primeira edição, e agora ficamos feliz em ver que a Caminhada da Fraternidade chega à sua maioridade. É muito legal ver nossa população caminhando, mostrando sua fé e mostrando também sua solidariedade com os mais necessitados. Esse é um dos princípios e valores mais importantes para o nosso povo, sobretudo porque Teresina é uma cidade que enfrenta muitas adversidades”, afirmou Firmino.

Crise não prejudicou venda de kits da Caminhada

Ao final da caminhada, o vigário geral de Teresina disse estar “escandalosamente feliz” com o apoio do povo, que, mesmo em meio à grave crise econômica no país, comprou os kits do evento, e participou de todo o percurso da caminhada, saindo da Igreja São Benedito até o campus da Universidade Federal do Piauí, no bairro Ininga, zona leste da cidade.

“A resposta do povo foi além da altura. Ou seja, todos sentem a crise, mas a crise não impede o zelo, não impede o amor, não impede a participação, não impede a garra. Todo mundo está sofrendo, mas nosso povo coloca o irmão em primeiro lugar”, elogiou Tony Batista.

O encerramento da Caminhada da Fraternidade contou com as apresentações do Padre Jardel & Banda Mais Fides e da banda Filhos da Mãe.

Por: Cícero Portela/O Dia

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